Aos 44 anos, Ana Oliveira vive uma nova fase da vida: a maternidade. À frente de uma empresa e de diversos projetos, ela sempre priorizou a carreira e a independência financeira e chegou a acreditar que a gravidez talvez não fizesse mais parte de seus planos. Mas, quando menos esperava, descobriu que estava grávida naturalmente. Em uma conversa sobre maternidade, carreira, fertilidade e parceria, Ana compartilha os desafios e as descobertas dessa gestação, fala sobre a importância do cuidado com a saúde masculina e revela como está se preparando para conciliar a chegada do filho, Samuel, com sua vida profissional. Confira a entrevista na íntegra.

M40 – Qual era o espaço que o assunto “maternidade” ocupava em sua vida antes de ser grávida? Você era do tipo que sabia que queria ser mãe ou não?
Ana Oliveira Então na verdade eu sempre fui 1 mulher que sabia que queria prosperar financeiramente e ter sucesso profissional. E, para mim eu tinha 1 crença muito forte de que, engravidar, e maternar, não necessariamente poderia ou eu conseguiria dar conta de acontecer junto, com a minha história profissional e a minha independência financeira. Essa é a minha 1º gestação aos 44 anos, mas eu tenho 1 filha socioafetiva, com 18 anos, não é, então a minha questão foi sempre mesmo o engravidar, e essa fase de bebê, não é? Que necessariamente não é tão possível a gente delegar. E aí a minha prioridade sempre foi a questão de trabalho, de trabalho e fazer dinheiro, e honestamente eu achei que não era mais para mim.
Eu tive aí uma crise de identidade próxima aos 40 anos, Até procurei fazer FIV e fui me informar há uns 3 anos atrás, eu e meu marido chegamos a iniciar o processo, mas depois eu não me senti confortável com aquilo tudo, senti no meu coração que que não era esse caminho que eu queria, e soltei, e deixei realmente as coisas fluírem naturalmente se fosse possível, não é, que que viesse naturalmente, e isso de fato aconteceu aí quando eu completei 44 anos, não é, a gente descobriu em, eu engravidei em, provavelmente foi ali início de novembro de 25, e em 10 de dezembro eu completei 44 anos.
M40 – Como tem sido para você lidar com a questão: carreira e maternidade? Como tem sido o seu planejamento?
Ana Oliveira Olha, você sabe que eu achei que eu fosse ficar mais ansiosa, mais preocupada, mas eu estou muito em paz, sabe? Depois que eu descobri a gestação, eu entendi o quanto eu estou vivendo um milagre, justamente por fazer parte de um percentual mínimo da população que consegue engravidar naturalmente nesta idade. E minha gestação, que chegou na 36ª semana, está sendo saudável, sem nenhuma intercorrência. Até agora tenho vivido um ambiente de muita harmonia, de muita paz. Eu preciso dizer o quanto ter um marido presente como o meu também tem tornado isso possível. Acho importante compartilhar isso porque sempre focamos muito na mulher, e meu marido foi se cuidar, procurou orientação médica para que a saúde dele também estivesse 100% para conseguirmos gerar o nosso filho.
Por eu ser uma mulher muito focada em trabalho, carreira, ter minha empresa, meu ritmo de vida que foge um pouco do horário comercial. E meu marido dá todo o suporte que precisamos em casa. É ele quem cuida da comida, de toda a parte da família. Ele é servidor público, então, e eu cuido de toda a parte financeira da família e ele cuida do restante. E essa parceria tem dado muito certo. Não tenho dúvidas de que se eu não tivesse um marido que apoia os meus sonhos profissionais, conciliar a carreira e a maternidade ficaria muito mais complicado. Juntos tornamos os sonhos possíveis, com paz e harmonia dentro de casa e em paz também com o futuro que nos aguarda.

M40 – Você citou que seu marido buscou melhorar a saúde e fertilidade. Como foi isso? Ana Oliveira Esse é um ponto que realmente é importante destacar, pois fala-se muito pouco sobre a saúde e fertilidade masculinas. Meu marido tem acompanhamento médico, há muitos anos, pois é atleta. Ele fez todos os exames e foi detectado que ele até tinha uma boa quantidade de espermatozoides, mas eles estavam sem força, sem velocidade. E então ele começou um tratamento para melhorar essas questões. Enquanto eu me cuidava, ele também se cuidou, e isso é fundamental, afinal, para a gravidez a gravidez acontecer depende 50% de cada um.
M40 – Sabemos que não é impossível engravidar naturalmente aos 44, mas também não é tão simples. Como foi essa descoberta?
Ana Oliveira – Com relação à descoberta, confesso que a gente estava tentando sim há cerca de um ano e meio, mas para ser sincera, eu estava sem muitas esperanças. Eu já estava investigando a perimenopausa porque havia começado a ter suores noturnos cerca de um ano antes de engravidar. Minha médica garantiu que eu já estava na perimenopausa quando engravidei. Quando eu descobri a gestação, eu estava quase 40 dias sem menstruar, atrasada. E eu sempre tive menstruação atrasada, isso era normal. Então eu não estava dando bola. E aí num belo dia ali, finalzinho de dezembro passado, meu marido falou: “compra, faz o teste”. Hesitei porque não queria viver mais uma decepção. Lembro que eu estava com inchaço na barriga, mas eu achei que eram gases, rs. Compramos o teste e deu positivo!
De verdade, eu não acreditei. Tanto que fiz mais três testes. Quando mandei mensagem para minha médica, ela respondeu: “Olha, roxinho desse jeito, os dois traços… 100% certo que você está grávida, mas vamos fazer o Beta HCg. Fizemos e estávamos mesmo grávidos! Foi muito na surpresa, nós realmente não imaginávamos. Claro que sempre tinha aquela pontinha de esperança, mas com medo de nos frustrarmos. Então a gente continuava tentando, mas achando que não iria acontecer.
M40 – Como é pra você estar grávida aos 44 anos?
Ana Oliveira Olha, mentalmente e fisicamente eu vou te falar que eu estou até com mais energia do que antes. As pessoas, inclusive, me falam: “Nossa, você está super bem”, “Como você está iluminada”. Continuei com o meu trabalho no meu ritmo, respeitando alguns limites, como o cansaço, que às vezes aparece. Acho que no início da gestação foi mais difícil, tinha muito sono. Mas não tive enjoo, não tive náusea. Por volta da 26ª semana, descobri diabetes gestacional, mas está sendo controlado com dieta e tenho mantido um ganho de peso dentro do esperado. Então está tudo certo e a expectativa é que siga assim até o parto. Claro que são muitas mudanças, é minha primeira gestação, então tem muita novidade, muita coisa, mas tenho no meu coração tão claro que estamos vivendo esse milagre, essa bênção, que eu tenho muita certeza de que tudo vai dar certo.

M40 – Você teve algum cuidado extra, em relação ao pré-natal?
Ana Oliveira Não tive nenhuma necessidade, além do que já era esperado, não. Eu fiz massagem para evitar inchaço, e também pilates. Depois que descobri o diabetes gestacional passei com nutricionista. No mais, tomei todas as vacinas e vamos a todas as consultas. Basicamente isso, nada demais, não.
M40 – Quais são os seus planos em relação à maternidade e carreira daqui pra frente?
Ana Oliveira Quero seguir sendo profissional e maternando. Não pretendo parar de trabalhar e nem me afastar por muito tempo. Como eu falei, nosso filho, Samuel, tem um pai que que vai estar com ele, que vai estar junto com a gente, que tem disponibilidade de tempo e tudo mais. Então vai conseguir atuar muito fortemente nesse papel da paternidade. Eu trabalho bastante em home office, então isso também ajuda muito, pois meu bebê estará sempre próximo. Além disso, tem minha mãe, que é muito próxima também e vai ficar um tempo comigo para nos auxiliar. Está tudo bem organizado, bem planejado para eu seguir com a carreira e com a maternidade.
M40 – Quais conselhos ou dicas você deixaria para mulheres que estão tentando engravidar e se preparando para viver este momento?
Ana Oliveira Com relação a conselhos, o que eu diria é primeiro é preciso confiar, abrir um pouquinho a mão do controle de tudo. Confiar no que a vida tem para cada uma. Isso não significa que vamos ter menos preocupações ou deixar de fazer a nossa parte. É preciso seguir cuidando da saúde, procurando ajuda quando necessário. Mas é preciso também confiar no fluxo da vida, que você está fazendo o melhor que pode, e que se for para ser será! Assim a gente deixa um pouco de lado as pressões e cobranças, porque o emocional conta muito também neste processo. E claro, como eu já falei mas quero reforçar, olhar para a fertilidade e saúde do homem com o mesmo cuidado que se olha para saúde da mulher.






