Você sabia que durante muitos anos acreditou-se que os filhos nascidos de mães entre 35 e 39 anos teriam uma piora cognitiva em relação aos filhos de mães mais novas? Isso por conta de um estudo feito em 1958 com cerca de 10 mil crianças que relacionou essa piora com a idade materna. É impressionante como o medo e a culpa recaem sobre as mulheres e, especialmente as mães. E quando o assunto é engravidar perto dos 40 anos, então, o que não falta é medo, culpa e risco. Parte deles fazem sentido, mas muito cuidado com os discursos terroristas. Esse estudo é um bom exemplo. E durante muitos anos acreditou-se nessa relação direta entre a idade materna e a piora cognitiva. Até que em 2017 um outro estudo publicado no International Journal of Epidemiology, um grupo de cientistas analisou essa associação, comparando três grandes estudos longitudinais realizados no Reino Unido durante os anos 1958, 1970 e de 2000 a 2002, com amostras de 10.000 crianças cada um.
Os resultados foram surpreendentes: apesar da relação entre idade materna e capacidade cognitiva ser negativa no estudo dos anos 1950, isto é, no dos anos 2000 a relação se inverteu: as crianças nascidas de mães com idades entre 35 e 39 anos alcançaram resultados significativamente melhores nos testes cognitivos que os das mais jovens. Mas na verdade a interpretação daquele estudo dos anos 50 estava errada, pois a piora na cognição nada tinha a ver com a idade materna, mas sim com o contexto socioeconômico das crianças analisadas. Isso porque nos anos 1950 as mulheres que tinham filhos com mais de 30 anos tinham engravidado cinco, seis vezes antes: ou seja, os irmãos que chegaram depois tinham menos acesso ao tempo e dedicação dos pais; além disso, as famílias numerosas eram, em geral, mais pobres, com falta de recursos como: desnutrição e más condições sanitárias, essas sim comprovadamente impactam de forma negativa no desenvolvimento.
Já as mães do estudo dos anos 2000 tinham o primeiro filho na cada dos 40 anos, com uma carreira já formada e melhores condições socioeconômicas e também socioemocionais. Esse, aliás, é o assunto do nosso próximo conteúdo! Acompanhe!
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