Recentemente, uma imagem compartilhada nas redes sociais trouxe à tona reflexões importantes sobre o luto gestacional, a exposição nas mídias digitais e como lidamos com a dor. Thiago Nigro, conhecido como “Primo Rico”, e Maíra Cardi, sua esposa, decidiram compartilhar publicamente o registro de um feto expelido após um aborto espontâneo. Esse ato provocou um turbilhão de reações, dividindo opiniões entre acolhimento e crítica. A era das redes sociais amplificou o alcance de nossas vivências pessoais, mas também gerou um questionamento: até onde deve ir a exposição de momentos tão íntimos? Para alguns, essa postagem foi um ato de coragem, criando um espaço de identificação para famílias que vivenciam a dor de uma perda gestacional. Para outros, a exposição foi desnecessária e sensível demais, causando desconforto.

A linha tênue entre o luto e o espetáculo

Vivemos tempos onde a espetacularização da vida parece não ter limites. Situações que, até pouco tempo atrás, eram tratadas de forma reservada, hoje tornam-se assunto público. Como jornalista, aprendi que a notícia é aquilo que desafia o comum, que impacta a sociedade. No entanto, a internet mistura o que deveria ser pessoal com o que se torna viral. O caso levantou a discussão sobre os extremos. Enquanto algumas famílias encontram alívio ao compartilhar suas dores, outras se sentem sobrecarregadas pela pressão do silêncio. Será que essa necessidade de exposição é um pedido de ajuda, uma forma de humanizar a dor, ou apenas um reflexo da busca incessante por atenção e engajamento?

O silenciamento que adoece

Especialistas como Daniela Bittar, que estuda o ciclo gravídico-puerperal e o luto materno, destacam como o silenciamento imposto às mulheres após uma perda gestacional é prejudicial. No primeiro trimestre, especialmente, as mães estão mais vulneráveis a traumas emocionais. Muitas são pressionadas a seguir com suas vidas como se nada tivesse acontecido, sem espaço para viver e processar o luto. Por outro lado, a médica e cientista Melania Amorim compartilhou sua própria experiência com perdas gestacionais, destacando como o silêncio pode ser cruel. Ela reforça a necessidade de criar espaços para que o luto seja reconhecido e respeitado, sem minimizar a dor que essas famílias enfrentam. Débora Diniz, antropóloga e pesquisadora, reflete sobre como as redes sociais transformaram até mesmo a dor em espetáculo. Para ela, expor momentos como esses é parte de um processo social que busca validação coletiva. No entanto, precisamos questionar: até que ponto isso nos aproxima de um acolhimento real? E, mais importante, como esse tipo de exposição afeta aqueles que ainda não conseguem lidar com suas próprias dores? A conclusão que fica é que precisamos olhar para dentro, para as pessoas próximas a nós, antes de mergulharmos nas histórias alheias. Se o conteúdo que você consome na internet lhe causa sofrimento ou gatilhos emocionais, respeite seus limites. O autocuidado começa na escolha do que deixamos entrar na nossa mente e coração. Falei sobre isso no Instagram do Mãe aos 40. Veja aqui.

Acolher sem julgar

Cada reação ao luto é única. Compartilhar a dor pode ser um gesto de coragem ou um reflexo da era digital, mas o mais importante é respeitarmos as escolhas de cada pessoa. No Mãe aos 40, criamos um espaço para debater temas como esses, com empatia e informação. Se você passou por uma perda gestacional ou conhece alguém que está enfrentando essa dor, saiba que não está sozinha. Temos conteúdos que podem ajudar, além de histórias e reflexões que podem trazer conforto e acolhimento. Clique aqui para explorar mais sobre o tema.