Reposição hormonal causa câncer de mama?

Reposição hormonal

Nos últimos dias, o Mãe aos 40 recebeu dúvidas sobre a reposição hormonal: algumas mulheres têm receio de fazê-la, pois acham que ela pode contribuir para um câncer de mama. O ginecologista Renato Tomioka,  da Clínica Vida Bem Vinda, em São Paulo esclareceu o assunto:

Mãe aos 40 Existe, de fato, alguma relação entre a reposição hormonal e o câncer de mama? 

Dr. Renato Tomioka Existe. Mas deve-se ter muita cautela com as palavras. Reposição hormonal não causa câncer de mama! O câncer se origina de uma mutação genética, que começa numa célula tronco indiferenciada na mama. A partir daí, esta célula tem que se diferenciar numa célula adulta, já que antes disso elas não conseguem responder aos hormônios. Na prática, o câncer já começou muito antes, por isso, biologicamente não faz sentido dizer que o estrogênio usado na reposição causa câncer de mama. Mas se o câncer já estiver presente, esse hormônio pode acelerar o seu crescimento. Diversos estudos sobre o assunto mostram que a progesterona tem um papel importante no aumento do câncer de mama em mulheres que fazem reposição hormonal. Assim, para aquelas pacientes que têm útero e, portanto, devem usar estrogênio associado a progestagênio, este último deve ser utilizado na menor dose e frequência possível.

 Mãe aos 40 Quando é indicado fazer a reposição hormonal?

Dr. Renato Tomioka A terapia hormonal é indicada para mulheres na fase pré ou pós-menopausa, quando existem sintomas como aquelas ondas de calor com início súbito, independente da temperatura ambiente, que vão do tronco ao pescoço e cabeça, produzindo suor momentâneo e muito desconforto. Também são indicadas quando há atrofia vaginal, que é detectada como uma secura vaginal, com redução da lubrificação que pode causar dores e sangramentos durante as relações sexuais. A reposição hormonal também auxilia na prevenção de doenças como osteoporose e redução do risco de doença de Alzheimer.

Mãe aos 40 Como funciona a reposição hormonal?

Dr. Renato Tomioka O objetivo é repor o que está em falta. Mas antes, é essencial uma avaliação para investigar fatores de risco e contraindicações à terapia hormonal. Quando não há contraindicações, devemos repor de forma segura o estradiol, produzido tipicamente pelos ovários. Diferentes moléculas do hormônio estão disponibilizadas no mercado e a tendência é sempre repor a menor quantidade suficiente para eliminar ou aliviar os sintomas e promover a boa saúde da mulher. Existem diversas formas de fazer a reposição, como em cápsulas, por meio de adesivos, géis, implantes e supositórios. O estradiol age em diversos locais do corpo, como no sistema nervoso central, nos ossos, na pele e no útero. Assim, mulheres que têm útero devem utilizar também um progestagênio, como a progesterona natural, para evitar câncer de endométrio.

Mãe aos 40 A reposição também é indicada para mulheres que estão tentando engravidar ou isso é outro caso? 

Dr. Renato Tomioka Não. A gestação é uma contraindicação. Isso porque na grávida, a placenta produz altas doses de estrogênios e progesterona, o que é suficiente para manter uma gestação saudável. E as indicações da reposição hormonal são as ondas de calor e a secura vaginal típica da fase próxima à menopausa.

 Mãe aos 40 Quais são os benefícios da reposição?

Dr. Renato Tomioka Se feita de forma segura, a reposição tem vários efeitos benéficos, entre eles a redução dos sintomas climatéricos, da osteoporose, do risco de fraturas graves de ossos, de incontinência urinária, de riscos de diabetes tipo 2, de doenças cardiovasculares e de Alzheimer, além de melhora nas relações sexuais decorrentes da lubrificação vaginal e libido.

 

Posts relacionados