Porque a maternidade pode ser muito mais solitária do que parece

Se tem uma coisa na vida que te transforma completamente é a maternidade. Ela é uma viagem sem volta, uma escola em que você entra sem saber nada ou até pensa que sabe tudo, mas ao se matricular (leia-se: “virar mãe”) vê o quanto todas as convicções e aprendizados, vindos de livros ou simplesmente observando os filhos dos outros, vão todos pelo ralo. É exatamente a tradução da célebre frase: “Eu era excelente mãe, até ter filhos”.

A grande verdade é que do momento em que você dá entrada ao hospital para dar à luz até os primeiros meses e, em alguns casos, anos de vida da criança, uma avalanche de sentimentos toma conta da sua mente e do seu coração. Você ainda confusa recebe na maternidade e no hospital os amigos e a família, que chegam dando os parabéns. Mas ao chegar em casa com aquele serzinho no bebê conforto você mal sabe onde deixa-lo. Em cima da mesa? No chão? Pegar no colo? Não, coloca no carrinho!!! Será que no berço não seria melhor, não?

Se você der sorte de o bebê já entrar na conexão e fazer a pega correta da mama ainda no hospital, as chances de sofrer com problemas nos seios será menor. Caso contrário, minha amiga, P-R-E-P-A-R-A porque o negócio é doloroso. Amamentar com os seios cheios de rachaduras e sangrando é para as fortes ou, no mínimo, que querem muito amamentar. Depois vai ficando mais fácil, é verdade. Ou melhor, não é que fica mais fácil, mas sim você que já está se encaixando melhor na nova rotina, que é quase 100% dedicada ao bebê nos primeiros meses.

Para onde foi minha “velha eu”?

E no meio disso tudo, onde fica aquela mulher que existia? Aquela mesmo, que saía de casa cedo, ia pra academia, pra padaria, pro trabalho, pra reunião com cliente, pro almoço com os amigos, pro cinema com o marido? Ela se perde, se esconde, tem medo de aparecer novamente, dando total lugar à mãe, que acaba de nascer também. Claro que isso não acontece com todas. Mas é a realidade da maioria.

Aos poucos vamos nos adaptando, encaixando as tarefas da rotina da casa e do trabalho. E especialmente se você, como eu, é autônoma ou faz trabalhos no esquema freelancer, esqueça a licença maternidade. Ela simplesmente não existe. No meu caso, voltei a trabalhar depois de 1 semana, de casa, já que se não trabalho não ganho. E mesmo que consideremos os casos clássicos em que existe uma licença (super extensa #sqn) de 4 meses ou 6 meses (se a empresa for bem bacana com as mães), boa parte de nós fica dividida entre retornar ao trabalho e encarar longas horas longe do nosso bebê ou largar tudo e encarrar um voo solo, colocando em prática algum talento que temos, na tentativa de ter mais qualidade com nosso pequeno-serzinho-lindo. Mas, não se engane: no início empreender pode demandar muito mais horas trabalhadas do que se estivesse numa empresa. Sem contar que ser dona do próprio negócio pode não ser tão simples quanto se imagina. É preciso sim pesar muito bem os prós e contras para não piorar ainda mais a situação depois.

A verdade é que ser mãe não vem com manual e percebemos, aos poucos, que a maternidade que nos contaram existir estava muito mais romantizada do que na realidade é. Nos damos conta, dia a dia, que a maternidade é muito mais solitária do que imaginávamos. Ela é rodeada por escolhas diárias que irão mudar a nossa vida para sempre.

Maternidade consciente? sim, é possível

Nas conversas com outras mães cada uma quer colocar o seu filho acima do da outra. Seja nas comparações com a fase do engatinhar, andar ou falar. E você pode simplesmente ir levando, empurrando com a barriga e fazendo tudo da maneira mais prática possível. Mas se quiser aderir a uma maternidade consciente, pautada por evidências e estudos e não simplesmente por achismos ou palpites, você fará parte de um grupo reduzido de mães. Mas a qualidade pode sim importar mais que a quantidade. Claro que não estou defendendo aqui viver apenas levando em consideração as pesquisas, os estudos e o que dizem os especialistas. Até porque, como já falei no início, ser mãe não vem com manual, e na prática tudo pode ser diferente. O conselho da mãe, da avó e da amiga são válidos sim. Mas eles devem sempre passar por um filtro, que está na sua consciência e na maneira como pretende escrever nesta página em branco que é seu filho ainda pequeno.

E no fim das contas, é assim que a gente vai se “formando” mãe: com erros e acertos, sabendo que, como diz o slogan da Pom Pom “Ser mãe fica melhor a cada dia”.

E por aí como foi? Como está sendo? Mais alguém concorda comigo?

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