Dieta vegetariana na gravidez deve ser planejada

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As futuras grávidas vegetarianas precisam redobrar atenção quando o assunto for alimentação. A nutricionista Denise Giacomo da Motta, membro da Câmara Técnica do CRN3: 0350, explica como planejar a dieta para não prejudicar o bebê e ter uma gravidez saudável.

Confira:

 

Mãe aos 40: A mulher vegetariana corre mais riscos em relação à falta de nutrientes do que a que não é vegetariana?

Dra. Denise: Sim. A dieta vegetariana, quando não adequadamente orientada, pode levar à falta de proteínas, ferro, zinco, ômega 3 (pela ausência das carnes em geral), de vitamina B12 e cálcio (que têm nos laticínios, uma importante fonte).

 

Mãe aos 40: Quais são os cuidados que ela deve ter quando está tentando engravidar? Por que?

Dra. Denise: O organismo da mulher deve estar em boas condições nutricionais, para acolher e desenvolver um novo ser. Para isso, recomenda-se uma alimentação saudável e equilibrada, completa em nutrientes, para que as carências não levem a problemas como baixa imunidade, anemia, dificuldade para cicatrização e reparação de tecidos, mas também sem excessos que possam aumentar excessivamente o teor de gorduras corporais e alterar seu metabolismo.

Mãe aos 40: Na prática, quais alimentos ela deve acrescentar na dieta e por que cada um deles é importante? Quais são as quantidades desses alimentos diariamente?

 
Dra. Denise: As gestantes devem ingerir, diariamente:

·         alimentos que garantam a energia necessária para seu adequado ganho de peso (cereais integrais como arroz, pães, massas, milho; feculentos como batata, mandioca, cará, inhame e gorduras saudáveis, como azeite de oliva e óleos vegetais, na medida certa, variável conforme seu peso, altura e padrão de atividade física);

·         leite e derivados (ou substitutos ricos em proteínas, enriquecidos com cálcio), para atender às necessidades de proteínas e cálcio – de 3 a 4 porções diárias;

·         carnes magras em geral (ou substitutos vegetais, como feijão, soja. lentilha, ervilha, grão de bico), para suprir as necessidades de proteínas e ferro – de 2 a 3 porções diárias;

·         vegetais folhosos e amarelos para atender às necessidades de vitamina A e ácido fólico – 2 porções cruas e 2 cozidas, ao dia;

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·         frutas, em especial as cítricas, para suprir as necessidades de vitaminas, em especial a “C” – ao menos 3 porções diárias;

·         alimentos fortificados e suplementação medicamentosa, quando não for possível alcançar a ingestão dietética adequada.

 

Além disso, deve evitar o consumo de fontes de “calorias vazias” como doces, refrigerantes e bebidas alcoólicas; e monitorar a ingestão de alimentos diet e light, em função de seu conteúdo de edulcorantes artificiais – sacarina, ciclamato e aspartame, contraindicados na gestação.

 

Mãe aos 40: Se ela continuar tendo uma dieta vegetariana o bebê pode correr riscos? Quais?

Dra. Denise: A dieta vegana (vegetariana estrita) implica em uma maior dificuldade para atingir as recomendações nutricionais, principalmente de proteínas, cálcio, ferro, zinco, vitamina B12 e vitamina D. As possíveis deficiências da dieta vegetariana, se não supridas com cuidadoso planejamento alimentar e suplementação nutricional, podem comprometer o estado de saúde da gestante e também o desenvolvimento do feto, aumentando o risco de baixo peso ao nascer, anemias e mal-formações. Mas, bem planejada e suplementada, a dieta vegetariana pode ser saudável e adequada.

 

>> Veja também o que é preciso mudar na dieta para garantir que o bebê se desenvolva saudável

 Por: Thaís Anzolin

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