A história por trás desse útero

 

Conversamos com exclusividade com o médico que fez a retirada desse útero da foto

Na última semana circulou pelas redes sociais a imagem de um útero, que deixou muita gente impressionada. Isso porque raramente temos a oportunidade de ver imagens reais desse órgão, com tamanha riqueza de detalhes como na foto acima. Além da imagem impressionante, o que tocou muitas mulheres foi o belíssimo texto, postado originalmente na página do Facebook Maternidade Saludable, que detalhou a incrível capacidade desse órgão, e resultou em mais de 51 mil compartilhamentos. O primeiro contato que tive com a imagem, no entanto, foi por meio do Instagram Mulheres Lua, responsáveis por traduzir o texto:

Seu tamanho normal é de uns 7 centímetros de comprimento e 5 centímetros de espessura. Este órgão se expande mais de 100 vezes para abrigar um feto. A cada mês se autodestrói e volta a se reconstruir, através desse processo elimina a menstruação por contrações, por isso dor menstrual é a dor de útero, não de ovários. Pode suportar até 150 vezes seu próprio peso. É o único órgão capaz de criar outro órgão: a Placenta. Está conectado a você. Se você se estressa, ele se estressa, se relaxa, ele relaxa. Neste mesmo órgão a vida é compartilhada. Há mulheres que com esse órgão deram vida a 15 filhos. Está capacitado a gerar 20 vidas. É o segundo coração de uma mãe, pois ali forma os corações de seus filhos.

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Confesso que, a partir desse texto e da imagem, parei para refletir não só sobre o útero em si, mas também sobre a capacidade da mulher, a geração de uma vida e tudo o que isso implica. Comecei a pensar qual devia ter sido a história da mulher que carregou aquele útero.

Sabendo que a imagem original foi postada no Facebook pelo ginecologista e obstetra peruano Carlos Calderón, mais conhecido como Dr. Ego, de Lima, no Peru, fui atrás dele para tentar descobrir qual era a história por trás da imagem que impressionou tanta gente. Não demorou para que o médico me retornasse. Falei sobre o meu interesse e ele topou me ajudar.

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A cirurgia para a retirada do útero em questão, chamada de histerectomia total, foi feita em janeiro do ano passado e removeu não só o útero, como o ovário e as trompas. A paciente em questão, cujo nome não foi revelado por questão de ética médica, era uma peruana de 64 anos. Seu útero havia dado vida a três filhos, hoje já adultos, além de ter passado por um abordo espontâneo.

Dr. Carlos Calderón se dispôs a me ajudar a conversar com essa senhora. Ele buscou o prontuário dela e conversou com a família para ver se ela aceitava me dar uma entrevista. Ao fazer contato, no entanto, o médico descobriu que a senhora está sofrendo com demência senil e convulsões, sendo tratada com psiquiatras. A família achou por bem não conversarmos.

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De qualquer modo, o médico explicou que foi uma decisão da paciente a retirada total do útero, trompas e ovários, que estavam comprometidos com pólipos com suspeita de serem malignos, cisto no ovário e lesão pré-cancerígena de endométrio. “A paciente poderia ter optado por um tratamento mais tradicional, mas justamente por ter três filhos, ela preferiu remover qualquer resquício de doença, que pudesse afetar sua qualidade de vida com os filhos”, disse o médico, em entrevista exclusiva ao Mãe aos 40. Dr. Carlos contou ainda que a cirurgia foi um sucesso, sem intercorrências e que, como o previsto, a paciente recebeu alta dois dias após o procedimento.

Essa mulher provavelmente não sabe, mas, graças ao seu útero, muitas outras puderam refletir sobre a fertilidade, a saúde, a doença e os desafios que a maternidade nos traz. Eu seguirei em busca de boas histórias, que nem sempre têm um final feliz, mas ainda são são boas histórias. Se você acredita que também tem uma boa história como mulher e mãe, envie-a para mim. Vou adorar conhecê-la melhor. Meu e-mail é blogmaeaos40@gmail.com.

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