Após três fertilizações sem sucesso, engravidei de gêmeas naturalmente aos 44 anos

Viviane, juntamente com o marido e as filhas posam para ensaio fotográfico

Ser ou não mãe nunca foi um motivo de preocupação pra mim. Sempre imaginei casar e constituir minha família, mas nuca tive o instinto maternal muito aflorado. Após curtir os dois primeiros anos de casamento, emendando uma viagem na outra, os planos para ter filhos ficavam sempre para depois. Assim que voltávamos de uma viagem, já planejávamos: “em julho conhecer tal País?” Acontece que passou oito anos de casados para que pensássemos melhor em ter filhos. Só que não pensamos na nossa idade, muito menos cogitamos que seria um problema para que eu engravidasse rapidamente. E assim, quando eu já estava com 41 anos, começamos as tentativas. Infelizmente esse é um dos maiores equívocos de um casal, e fez com que o meu positivo demorasse três anos e meio para chegar. Especialmente nas mulheres, que nascem com o número de óvulos pré-estabelecido, e que vai sendo eliminado pelo corpo ao longo dos anos, a idade é um fator que pesa muito.

+ Mulher com dois úteros surpreende e dá à luz gêmeas

A corrida contra o tempo

Já sabendo que não teríamos muito tempo para engravidar naturalmente, tentamos por apenas seis meses, e então optamos pela fertilização in vitro. A primeira médica que fomos para iniciar os procedimentos de exames, falou na primeira consulta que enfrentaríamos muitas dificuldades. Ela não nos deu qualquer esperança. Ao sair da consulta, desmoronei. Chorei muito no corredor do andar do consultório dela. Ali mesmo decidimos que iríamos procurar outro profissional, pois achamos que ela não teve nenhuma sensibilidade com um casal que estava cheio de sonhos e muitas expectativas. E assim fizemos. Os outros médicos foram otimistas e realistas ao mesmo tempo. Deixam claro que, na visão da medicina, a minha idade era avançada para engravidar. Mas, ainda assim, eles falavam que deveríamos acreditar que seríamos pais e termos fé, pois o colo do meu útero estava perfeito para receber um bebê.

Passei por três FIVs, sem sucesso. Estávamos muito tristes e desgastados emocionalmente. Nesse período dos tratamentos, meu pai faleceu, nos mudamos para Goiânia e resolvemos dar um tempo. Decidimos fazer uma nova viagem para espairecer de todo aquele ambiente de tensão emocional que um tratamento para engravidar gera. Quando retornamos, descobri que estava naturalmente grávida

+ Depois de congelar óvulos, fazer cirurgia, inseminações e fertilizações, me tornei mãe!

A bolsa de Viviane estourou na 35ª semana de gravidez

A gestação

Quando vimos o resultado positivo, meu marido agradeceu a Deus com as mãos na Bíblia. Choramos juntos de emoção e alegria, depois de tanta luta. Só não esperávamos que fossem gêmeos sem a FIV! Quando estávamos fazendo o tratamento, sabíamos que poderia vir gêmeos ou múltiplos. Eu queria muito ter gêmeos e meu marido ficava apavorado! Sou filha única e não queria ter um filho único. E quando soubemos que eram gêmeos mesmo sem o tratamento foi muito emocionante!

Minha gestação foi excelente! Foi uma gravidez abençoada, tranquila, sem qualquer intercorrência. Amei de paixão ficar grávida. Amei a minha barriga. Me senti muito empoderada, linda! Eu estava muito feliz. Eu estava me sentindo muito convencida de estar linda e plena. Eu queria passear para mostrar minha barriga! Tive barriga pequena e só com uns 4/5 meses que ela começou a ficar mais proeminente. No final da gestação tive que repousar um pouco, fazer menos esforço para tentar ao máximo levar a gravidez adiante. E quando me perguntavam se era menino ou menina, eu adorava responder: são gêmeas! Fui muito disciplinada nos cuidados com a gravidez: comia bem e só comida saudável.

+ Aos 42 anos, fui para o hospital com fortes cólicas e descobri que estava grávida

Sofia e Ana Luisa nasceram prematuras e passaram 14 dias na UTI Neonatal

O parto

O parto em si foi muito tranquilo. Minhas filhas nasceram de cesárea, na madrugada de 31 de março de 2016. Na véspera, tinha feito controle para o nascimento dos bebês. Eu estava com 35 semanas completas e já estava na fase de controle diário das gêmeas. À noite, eu estava em casa com meu marido e ele foi a um shopping próximo comprar comida para jantarmos. Após jantarmos, eu estava muito cansada e fui me deitar um pouco antes de tomar banho. Não demorou nem 5 minutos e vi que minha bolsa estourou. Liguei para minha médica e fomos para o hospital. Demos entrada um pouco antes da meia noite e elas nasceram as 3:00 da madrugada. Foi uma emoção grande dar à luz, enfim, torna-me mãe.

+ Tive minha filha aos 46 anos, após um único “descuido” com o contraceptivo

UTI neonatal

Sofia e Ana Luisa ficaram 14 dias na UTI, mas graças a Deus isso não foi algo que tirou nossa tranquilidade. Apesar de prematuras, sabíamos que elas estavam bem e só estavam na UTI para ganhar mais peso e logo ter alta. Após a minha alta, todos os dias eu ia até o hospital as 7 da manhã, fazia ordenha do meu leite, visitava minhas filhas e depois de alguns dias, passei a dar de mamar no peito. Eu ia embora para casa apenas as 9 da noite. Nesses dias de UTI aprendi muitos cuidados necessários ao recém-nascido. As enfermeiras me ensinaram a melhor forma de dar banho, como pegar um bebê, como fazer regurgitar… Acabou sendo um grande aprendizado mesmo. E mesmo tendo um dia bem cansativo, quando chegava em casa eu conseguia dormir bem. E toda mãe sabe o quão valioso é dormir e, de fato, descansar!

+ Aos 43 anos, engravidei no primeiro mês de tentativa

Viviane com o marido e as filhas

A descoberta de uma nova mulher

Passadas as duas primeiras semanas de vida das meninas, era hora de leva-las para casa. E foi surpreendente o quanto aflorou em mim uma mulher versátil, organizada, metódica, prática, empenhada, agradecida a Deus e com uma paciência de Buda para cuidar de duas bebês! Percebi o máximo do meu potencial ao me tornar mãe. Claro que não quero pintar aqui uma maternidade cor-de-rosa ou romantizada. Os primeiros meses com um bebê em casa são muito cansativos e difíceis por conta do cansaço. A rotina com gêmeos é exaustiva. Tudo é em dobro! Nos três primeiros meses com as gêmeas, tive o privilégio de poder contar com uma babá, que me ajudava com os cuidados das 7 da manhã as 4 da tarde. E, também por isso, consegui ter uma rotina mais tranquila e serena.

+ 15 hábitos que só as grávidas entendem

Prós e contras da maternidade após os 40

Os pontos positivos de ser mãe mais velha são muitos: mais maturidade, paciência, resiliência, serenidade, melhor entendimento da vida. Mais paciência para educar uma criança, pois educar dá trabalho, muito trabalho! Também tenho a convicção que já curti e, ainda, continuo curtindo muito a vida. Percebo também que a maturidade me ajudou a ter um outro olhar para as privações momentâneas que, inevitavelmente, a maternidade traz. Talvez se eu fosse mãe mais jovem, poderia ressentir o fato de ter tanta responsabilidade com as meninas sem sequer ter aproveitado muito a vida. Quando não podia sair por qualquer razão que fosse, não ficava com a sensação de estar “perdendo” os lazeres da vida, por exemplo. Eu e meu marido nos tornamos pais no momento certo.

Os pontos negativos foram, primeiro, a dificuldade para engravidar, e segundo, a preocupação de estar com saúde para viver muitos anos e conseguir curtir bastante as meninas.

+ Após dois filhos adolescentes, descobri a gravidez no meu aniversário de 40 anos!

As gêmeas Sofia e Ana Luisa

O que eu diria para as mulheres que estão tentando engravidar?

Não desista! Não se influencie por ninguém. Não deixe que a tristeza faça você desistir. Se ficar triste, permita-se ficar triste. Depois, levante-se e faça dessa dificuldade o seu combustível para seguir em frente com coragem, bravura e fé! Paute-se apenas pela sua vontade para não ter arrependimentos. Se o parceiro não quer ter filhos e você quer, corra para realizar o seu sonho. Tomada a sua decisão genuína de “eu quero ser mãe” pense verdadeiramente nessa vontade de forma positiva, com a alma. E acredite muito em Deus. É literalmente no tempo dele, claro você aqui fazendo a sua parte. Mas acredite e aceite tudo de forma resiliente o que a vida está lhe proporcionando. Se há uma dificuldade é porque alguma lição você tem que tirar de tudo isso. Aceite com resiliência a dificuldade. Eu sei que é difícil, mas as adversidades nos fortalecem. E se, depois de todas as tentativas possíveis, não foi possível engravidar porque você chegou no seu limite (e cada um sabe qual é seu limite), aceite e abra-se para outras possibilidades de ser mãe: mãe adotiva, mãe de uma afilhada, voluntária de uma creche, ONG de crianças. E se para você nenhuma das possibilidades anteriores der certo, por quaisquer motivos de vida, VÁ SER FELIZ SEM FILHOS! Aproveite a vida! Viaje! Faça a sua vida vibrar. Vibre pela vida. Vá conhecer lugares novos. Se tiver um marido, namorado, companheiro, companheira, curta todos os momentos possíveis ao lado da pessoa que você ama e viva intensamente a sua vida!

Depoimento de Viviane Alexandra Pereira Frugis, advogada, 47 anos, de São Paulo. Mãe das gêmeas Sofia e Ana Luisa, 3 anos e 6 meses. Acompanhe a rotina das gêmeas no perfil @aos44dosegundotempo

As gêmeas Sofia e Ana Luisa

Posts relacionados