“A cada perda, via meu mundo desabar”, diz mãe, após 3 abortos espontâneos

Sirlei com os filhos, Lorenzo e Cecília (Foto: Arquivo Pessoal)

“Costumo dizer que meus filhos foram dois “pequenos milagres”, já que, diferentemente das mães que conseguem engravidar de forma tranquila e fácil, para mim, as gestações foram quase um calvário. Após seis anos de casamento, decidimos que era o momento de sermos pais. Realizamos vários exames, sem qualquer problema aparente. Tudo ok, retirei o DIU e em pouco tempo já estava grávida.

Minha alegria era tamanha! Saí aos pulos do laboratório ao receber o resultado positivo. Os dois primeiros ultrassons mostravam que tudo estava dentro do esperado, porém, na 13ª semana, um novo ultra me fez perder o chão. Estranhei a forma como o médico me olhava, sem dizer uma palavra, apenas que eu me vestisse porque precisávamos conversar. Durante aquela dolorosa conversa, o especialista me contou que o feto estava sem batimentos. Nesse momento, eu queria morrer… Fui da felicidade ao desespero em segundos e uma dor na alma tomou conta de mim. Só sentindo para saber a dimensão!!

“Graças à barriga solidária da minha filha, me tornei mãe novamente, aos 44 anos”

Sirlei passou por três abortos espontâneos (Foto: Arquivo Pessoal)

Nova gravidez e muitas surpresas

Um ano depois, engravidei novamente, e de novo, perdi o bebê na 13ª semana. Acredito que ninguém consiga se sentir igual diante de perdas recorrentes… cada episódio nos deixa ainda pior, nos questionando o motivo, enquanto vemos o nosso mundo desabar. Mas o sonho de ser mãe era maior que a dor. E diante de duas perdas seguidas, o médico aconselhou que eu fizesse a indução da ovulação, na tentativa de tentar engravidar novamente, o que aconteceu após 1 ano e meio. Tudo correu bem e realizei o sonho de ter Lorenzo em meus braços. Nada explica a sensação de gratidão por dar à luz aquele bebezinho tão pequeno e, ao mesmo tempo, tão forte! Me realizei com a maternidade de uma forma tão grande e maravilhosa, que nem precisei pensar duas vezes na possibilidade de ter mais um! E então, quando Lorenzo esta com 6 anos, resolvi tentar engravidar novamente. Consegui, porém, pela terceira vez vivenciei um aborto espontâneo.

“Minha filha escrevia cartas pedindo um irmão. Ela me encorajou a ser mãe aos 40”

Em busca de uma resposta

Foi quando resolvi que não aceitaria mais não entender o que causava tantas perdas. Fui investigar o que havia de errado com meu corpo, fazendo uma verdadeira via crucis até encontrar um especialista em fertilização que me passasse segurança e tranquilidade. Passei também por hematologista, geneticista, e fiz inúmeros exames até chegarmos a causa:  trombose. Com o diagnóstico em mãos, comecei o tratamento. As medicações eram fortíssimas e eu quase acabei desistindo após adquirir vários cistos hemorrágicos e sentir dores horríveis.

Lorenzo segura a irmã, Cecília, ainda na maternidade (Foto: Arquivo Pessoal)

Quando, enfim, engravidei novamente, não pude deixar de ficar em estado de choque. Foi um misto de alegria e desespero. Mas o tempo foi passando e as coisas se ajeitando. O fato de ser uma gestação de alto risco fez com que os cuidados fossem redobrados: ultrassons a cada 20 dias e duas injeções diárias se tornaram parte da minha rotina… Ainda assim, encarava com a maior paciência do mundo. A Sirlei que eu era, nem de longe lembra  a que me tornei após esse último ano.

Além de todas as dificuldades dessa quarta gestação, quando estava na 13ª semana, sofri um acidente grave de carro. Meu carro deu perda total, que resultou no descolamento da placenta e um repouso total até a 26ª semana de gravidez, a fim de “segurar” ao máximo a gravidez. Não foi nada fácil. Mas deu tudo certo e minha filha nasceu de 40 semanas, em março de 2019, uma semana antes do dia agendado para a cesárea. Hoje ela está com 10 meses de vida, e a maior lição que tirei de todos esses acontecimentos, foi que, independentemente do que venha a acontecer, não podemos deixar de acreditar em milagres. E eu vivo isso todos os dias!”

“Antes de ser mãe, convivi 15 anos com a endometriose sem saber e sofri um aborto de gêmeos”

Cecília nasceu linda e saudável (Foto: Arquivo Pessoal)

Depoimento de Sirlei Heilmann Alves da Silva, 42 anos, microempresária, de Florianópolis (SC), mãe de Lorenzo, 10 anos, e Cecília, 9 meses.

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