Antes de julgar, se coloque no lugar da outra mãe

bebe no chaoQuando se trata da maternidade todo mundo tem sempre um palpite na ponta da língua e os dedos apontados na nossa cara. E o que é pior é que muitas vezes esses julgamentos vêm justamente de outras mães, que deveriam nos entender. Se você teve parto natural é motivo para falarem, se teve cesárea mais ainda. Se amamenta a criança até 2 anos ou mais é julgada, se não amamenta é pior ainda. Se dá chupeta é criticada, se não dá é também. E o que era para ser natural e até instintivo (e sem peso, sem culpa) se transforma num universo cheio de regras e de “isso pode”, “aquilo não pode”. Estamos nos guiando muito mais pelas redes sociais, pelos blogs e pelos livros, o que por um lado é realmente excelente, afinal, aliamos o conhecimento com a experiência da mãe para tirar nossas dúvidas. No entanto, o nosso instinto materno, o carinho e o olhar para o outro, se colocando no lugar dele, parecem estar ficando cada vez mais de lado. E nos achamos no direito de criticar a qualquer custo.

A impressão que muita gente tem é que a internet é terra de ninguém, onde todos podem opinar sobre tudo sem medir as consequências dos seus atos. Sim, falar o que der na telha numa rede social, em que você não está cara a cara com a outra pessoa é muito mais fácil, e também por isso, é preciso pensar duas vezes, já que a chance de falar demais é enorme.

Um bom exemplo disso foi a recente foto da mãe clicada mexendo no celular enquanto sua filha, menor de três meses, estava deitada sobre uma fralda de pano no chão de um aeroporto em Atlanta. “Que irresponsável”, muitos diziam. “Preguiçosa, vadia”, falavam outros. Só que a real história, o contexto por trás da cena, veio à tona depois, quando a companhia aérea se responsabilizou por cancelamentos e muitas horas de atraso no voo daquela mãe. A tal foto foi tirada quando a mãe, que também havia dormido no chão, acabava de se levantar para fazer contato com seus familiares, pedindo ajuda.

Agora eu pergunto: será que essa justificativa muda alguma coisa? Será que as pessoas que hostilizaram aquela mãe na internet voltaram atrás em seus pensamentos? Acho difícil.

É claro que o primeiro pensamento que nos vêm ao ver a foto é de espanto, de crítica. Mas parar e pensar um pouco, se colocar no lugar do outro e tentar entender os seus motivos precisa ser maior do que a nossa vontade de compartilhar irresponsavelmente pensamentos e julgamentos errôneos.

Tomara que agora com o fato esclarecido, as mães que criticaram aquela mãe possam se colocar um pouco no lugar dela. E mesmo que ela tivesse colocado a filha no chão por outro motivo, quem somos nós para criticá-la? Existem mães e mães. Aquelas que são super detalhistas, protetoras e cuidadosas, e também as que são menos preocupadas e criam seus filhos de forma mais livre. E nós não temos nada a ver com isso. Em vez de criticar, vamos nos unir. Afinal, é de compreensão que a gente precisa. Culpas e julgamentos, já bastam os nossos próprios, não acham?

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